sábado, 10 de dezembro de 2011

Partilha


Partilharemos o compartilhado
Os bens que, meu bem,
Duraram mais que o amor.
Nosso lar encaixotado,
Disputa inversa de culpa e dor.

MLSO

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Prece


Minha poesia
Num caderno velho desaparece.
É proferida ao vento e esquecida
É minha alegria
É minha prece

Não sei rezar, mas tento
Rezo quando escrevo, me confesso.

Como a filha de um homem ocupado
Não sei se devo incomodar
Sei que canto
Sei que escrevo
Sei que não sei
Sei que não sei rezar

Incomodo o pai como uma criança egoísta
Será que ele me ouve de fato?
Ou faz como a maioria dos adultos,
Ignora o que digo
E me oferece um brinquedo?

MLSO

domingo, 6 de novembro de 2011

Boneca


Condenada à felicidade
Em sua roupa de festa
E sorriso inerte doentio.
Um lindo enfeite
Ou brinquedo.
Fito teus olhos sem luz
E me dou conta,
Um sorriso imutável
Traz mais agonia do que gritos e soluços...

MLSO

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sobre meu poema


Rasguei meus versos
Que pelo inverso
Não dizem nada, em nenhum sentido.

Golpe perverso,
Matei meu amante,
Que cai no instante
Após ser lido.

Num tom disperso,
A minha maneira
No abismo da beira
Dos meus escritos...

Então converso
Alto e sozinha
Pergunto onde
Anda a calma minha?

MLSO

sábado, 8 de outubro de 2011

Opostos


Uma estranha e quase paixão,
Entre o cientista
E a artista.
Ele nem terminou a graduação,
Ela nem é mesmo uma poetisa.

Ela é seu objeto
Não de amor, mas de pesquisa.
Ele é seu poema,
Razão de sentimentos que sintetiza.

Ela sempre na janela,
Observando a arte em vida.
Ele em seu laboratório,
Calculando os dados da amostra empírica.

A estranha e quase paixão,
Por fim, não se concretiza.
Ele busca a exatidão,
Da desmedida ela precisa.

MLSO

sábado, 10 de setembro de 2011

Sala de espera


Cansei de esperar a festa para usar meu vestido novo.
E de esperar o Natal para ver minha família.

Cansei de esperar só na morte ver meu Deus.
E de perceber o quanto amo, só depois do adeus.

Cansei de esperar o "Dia de".
E de achar que o dinheiro fará minha vida melhor.

Cansei de me contentar com pouco, acreditando que pode ser pior.
E das homenagens póstumas. Qual é a graça delas?

Cansei de esperar o verdadeiro amor para amar de verdade.
E de esperar que em mim pouse a felicidade.

Não posso atribuir ao tempo o significado de uma vida.
Enquanto na sala de espera, permaneço escondida.

domingo, 24 de julho de 2011

Presente


Estive pensando nos últimos dias em como retribuir um "presente prometido".
Ao meu ver, presentear é como uma tentativa de materializar sentimentos... Mal consigo escrever sobre eles.
O fato é que ela foi genial (e eu nem li a dedicatória ainda) então, gostaria de roubar um sorriso.
Acho engraçado como somos tão parecidas e tão diferentes...
Nos conhecemos a pouco tempo, mas alguma coisa naquelas noites me mostraram que fico feliz em estar ao seu lado, sendo na tentativa cômica de jogar sinuca ou nas tristes conversas, pois dividir um fardo, acaba por torna-lo mais leve.
Enfim, ainda não sei como materializar meu carinho por minha amiga de olhos desenhados, mas quero que ela saiba que completar suas músicas, ler seus escritos, discutir inutilidades, compartilhar tristezas e risos sem sentido, tudo isso é um imenso prazer.